Hoje é um dia difícil sim, mas ultimamente não tem sido o único, aliás, até acho que começou como uma pequena bactéria num dia mais infeliz, propagou-se, espalhou-se ao comprido dos dias que foram passando, e com as semanas a rolar, as horas dos meses a fugirem, acabou por se tornar numa doença crónica. Num cancro.
Agora todos os dias sinto um bocadinho desta doença que na minha terra se chama ‘être mal-aimé’, como dizia o clo-clo.
Acho que fomos os dois amaldiçoados quando nos separámos, devia ser só eu a ter uma praga por aquilo que fiz, tu não merecias o que estás a passar… escolhi caminhar sozinha deixando para trás o verdadeiro amor que tinha e não sabia o tesouro que tinha. Parva, estúpida, mil vezes mil estúpida… mas a vida é assim e se calhar já estava traçado assim ser. É pena. Podia ter escrito uma linda história contigo, fosse aqui ou na China, numa praia qualquer do outro lado do Atlântico ou onde a vida nos levasse. Mas fiz merda e deitei tudo a perder. Para mim. Para ti. Para nós. Sem contar com elas…
Fazes-me falta. Faz-me falta o descanso do teu peito. O carinho dos teus olhos. A compreensão do teu silêncio. As palavras não ditas mas sempre compreendidas. Faz me falta ter alguém que, como tu, e apenas tu, me consegue medir a alma só pelo olhar, compreender as minhas reticências, e saber das vezes que digo não e quero dizer sim e das vezes que digo sim mas quero dizer não. Tu conseguias. Lias-me como um livro aberto… não precisava falar, apenas existir.
Hoje canso-me de falar, de gritar, de sublinhar, de pedir, até de mendigar e mesmo assim não sou ouvida, nem lida, nem percebida, eu acho que nem sou vista…
Ainda arranjo forças para chorar mas a vida já não me tem o mesmo sabor.
Dou por mim a pensar asneiras. A desejar porcarias.
É triste…
Estou cansada.
E se os olhos são o espelho da alma, então hoje o meu olhar é este...

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